Internacionalização de empresas – serviços financeiros

A Folha de São Paulo trouxe no dia 23/12 uma matéria com o principal executivo o Banco Itaú, Roberto Setúbal. Nesta entrevista o executivo aborda algumas questões bem específicas de práticas bancárias, se aventura em  alguns tópicos em macro e microeconomia e menciona alguns planos em relação à estratégia empresarial do Banco e sua internacionalização.

Por um lado, é interessante notar que os modelos de avaliação de estratégia desenvolvidos até o início dos anos 2000 não são totalmente adequados para avaliar estratégias desenvolvidas por multinacionais de países emergentes, exatamente porque a quantidade deste tipo de empresas cresceu muito na primeira década deste século. Claro que sabemos que algumas “multis” latinas e de outros países sub-industrializados já se tornaram global muito antes da virada do século, mas como fenômeno empresarial estamos confortáveis em considerar que a expansão internacional de multinacionais emergentes é um fenômeno razoavelmente novo.

Por outro lado, a forma como o executivo descreve o processo de internacionalização do banco para outros países emergentes, BRICs ou não, chamou minha atenção e meus comentários seguem abaixo.

Primeiro, o conceito de economia de escala surge porque no segmento de varejo bancário, com altos investimentos em infraestrutura (automação, imóveis, marketing e administrativo) uma larga base de clientes é fundamental para a diluição de custos fixos, que são altos.

Segundo, vale a pena notar que o processo de crescimento orgânico é lento demais para uma grande corporação, ou seja, empresas grandes, “multis” ou não, de países industrializados ou não, pagam um “premium” pela aquisição de empresas consolidadas ao invés de procurar crescimento de “share” aos poucos. Isto ocorre por diversos motivos, seja porque os executivos não darão atenção necessária a um negócio pequeno demais, seja porque negócios pequenos não permitem sinergias (vendas cruzadas de produtos, por exemplo).

Terceiro, o executivo cita que neste momento a busca é crescer em mercados razoavelmente conhecidos, seja por proximidade geográfica ou por percepção de baixo risco. O jargão de negócios é que o banco procurará “low-hanging fruits”, que seriam os mercados (“fruits”) mais fáceis de conquistar (“low-hanging”, ao alcance das mãos porque estão penduradas nos ramos mais baixos da árvore). Como um processo de crescimento para novos mercados é intrinsicamente mais arriscado do que o crescimento no mercado atual, os agentes econômicos (neste caso, um corporação), buscará mitigar os riscos deste movimento estratégico.

Por fim, a necessidade em inovar e buscar eficiência operacional (ou redução de custos para uma mesma base de receita, como queiram). Como uma organização focada em processos e normas fará isto, poderá ser um tema para uma outra entrevista.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com o executivo.

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