Marcopolo e sua montanha-russa

O case da Marcopolo e o mercado russo de ônibus é um ótimo exemplo que ilustra as dificuldades de internacionalização de empresas multinacionais oriundas de mercados emergentes. Com vasta experiência internacional, tanto de comercialização quanto de manufatura, vende seus produtos para mais de 100 países e possui fábricas em diversos continentes.

Sua primeira investida no mercado russo ocorreu em 2006, através de um investimento direto (FDI) que geraram 2 fábricas de carrocerias que foram fechadas em 2009, por conta da retração do mercado local. Contudo, o interesse em no mercado local de ônibus (previsto para 14.000 unidades em 2012) mostra que este mercado não pode ser ignorado por um competidor global e, deste vez, a Marcopolo firmou uma parceria com uma empresa líder local.

Esta segunda investida é interessante porque mostra uma mudança na estratégia de internacionalização para o mercado russo, para um modelo de joint-venture com um (forte) parceiro local. O modelo de parceria estratégica possui algumas características muito positivas que gostaria de destacar:

  1. Empresas locais já possuem os certificados, alvarás e aprovações dos organismos reguladores. Estas aprovações são, em geral, lentas, caras e confusas, dado que em mercados pouco sofisticados as agencias reguladoras carecem de equipamentos e pessoal treinado.
  2. Empresas locais possuem maior entendimento dos mercados locais. Sim, é obvio, mas não para todos, ao que parece. A literatura especializada em negócios é rica em exemplos de empresas estrangeiras que buscam vender produtos inaquados aos mercados locais.
  3. Political Clout. Belo termo anglo-saxão para explicar as pressões políticas que os grandes grupos empresarias podem exercer sobre autoridades locais. Não é suborno, mas sim a capacidade de grandes empresas em acelerar o processo de aprovação de alguma licença ou mesmo atrasar a importação de um produto de um concorrente internacional.
  4.  Parceiros locais possuem cadeias de suprimentos (supply-chain) já desenvolvidas e testadas, que são formidáveis barreiras de entrada para novos concorrentes.

Naturalmente, a própria empresa em questão já conhecia o delicado equilíbrio entre as vantagens e desvantagens de investir diretamente em v.s. buscar um parceiro local. Adicionalmente, a organização sabe medir os riscos e retornos em acessar um mercado diferente, com regras e condições diferentes. Contudo, esta história mostra como é difícil (e por isto mesmo interessante) a definição de estratégia de internacionalização de multinacionais.

Segue aqui o link com a integra da matéria sobre o fechamento da fábrica na Russia, em 2009.

Segue aqui o link para o press-release da Marcopolo.

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