Inovação, Apple e seu futuro: mais perguntas do que respostas.

Em Novembro de 2012 tive oportunidade de conduzir uma discussão pelo método de estudo de caso com uma turma de trainees de uma multinacional anglo-holandesa do setor de higiene pessoal e limpeza, alimentos e sorvetes. Utilizamos o caso Design Thinking and Innovation at Apple (Harvard Business School case 9-609-066) com o objetivo de identificar e entender alguns dos fatores que tornam esta empresa tão especial. Como o método de estudo de caso é um método cognitivo-construtivista, as discussões entre os participantes foram estimuladas por mim e a diversidade de opinião foi muito bem-vinda, mesmo quando eram conflitantes algumas vezes. Vou assumir aqui o risco de resumir alguns pontos que discutimos.

Nosso primeiro debate foi sobre a sustentabilidade da Apple após o falecimento do Steve Jobs. Por um lado, alguns participantes destacaram os papéis de CEO e CI (Chief Innovator) do Jobs, o que parece bastante natural, dado que ele pessoalmente sustentou o desenvolvimento de vários produtos que, em outras empresas, não teriam sobrevivido aos filtros normais de aceitação/rejeição de projetos. Adicionalmente, quando Jobs foi demitido da Apple em 1985, este deixou a empresa sem um sucessor claro, o que contribuiu para a decadência da organização. Deste modo, argumentaram os jovens executivos, aos poucos a Apple perderá sua capacidade de criar os próximos iMac, iPhone, iPod e iPad.  Por outro lado, alguns trainees lembraram que Jobs também fundou e deixou a Pixar, porém neste caso a empresa continuou com seu papel de relevância no segmento de animação digital.

Outra discussão interessante foi sobre a valorização da simplicidade do design, a beleza dos produtos e a facilidade no uso dos produtos da Apple. Seria esta obsessão pelo design que criou o culto de consumidores em relação aos produtos da empresa? (Nota: eu apresentei alguns pequenos vídeos que mostravam filas de consumidores em diversas cidades ao redor do mundo, quando do lançamento dos produtos Apple naquelas praças).

Quando falamos de Apple, invariavelmente cobrimos assuntos tais como inovação, marketing e produto, porém boa parte do sucesso da empresa se deve ao uso de plataformas similares de produtos. A reutilização extensa de famílias (ou geração) de produtos mostra que a empresa possui uma estratégia de plataformas similares, o que traz benefícios para a própria empresa (que obtém ganhos de escala), seus fornecedores (que se beneficiam de baixos custos produção) e clientes (que são beneficiados pelas semelhanças de interfaces e pelo rápido aprendizado do funcionamento dos produtos).

Por fim, uma ideia que ficou clara quando estudamos a abordagem de inovação na Apple é a obsessão pela empresa de controlar a experiência do cliente, seja através de uma interface gráfica diferenciada (simples, elegante e fácil de aprender), seja através de suas lojas conceituais (Apple Store) ou mesmo de uma nova forma de adquirir música (iTunes).

Fato é que a Apple se tornou benchmark quando falamos de inovação. Idem quando falamos de modelos e negócios: nossos celulares nunca mais serão os mesmos, os tablets passaram a ser uma necessidade cotidiana e várias empresas (e muitos concorrentes da Apple) adotaram a filosofia de lojas conceituais. A pergunta para a qual ainda não temos uma resposta clara é: Continuará a Apple a ser uma empresa inovadora? Será tudo isto sustentável sem Steve Jobs? Será Tim Cook (o sucessor de Jobs e especialista em supply chain) capaz de conduzir o show? Rumores existem que a Apple considera há muito tempo o lançamento de uma possível televisão da empresa. Será que nossa geração conhecerá a iTV?

Foto de evento na sede da Apple, em Cupertino, em celebração à vida de Steve Jobs. Notem o atual CEO (Tim Cook) se dirigindo aos funcionários da empresa e a icônica foto de Jobs com seu Macintosh.

Fonte da foto inicial: The Next Web

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2 comentários sobre “Inovação, Apple e seu futuro: mais perguntas do que respostas.

  1. Marcelo de Araújo Simões disse:

    Qual a sua opinião a espeito da Apple frente à Google, com a Motorola ajudando a disseminar o sistema Android? A Google é uma plataforma de desenvolvimento de aplicativos poderosa, pois é aberta, agora com uma forte parceira de desenvolvimento de equipamentos móveis, a Motorola.

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