Quem é Quem em Inovação I – Rosabeth M. Kanter

Vou começar uma série de posts sobre alguns autores que considero importantes na área de inovação. Eu os escolhi devido a uma combinação interessante entre a qualidade de seus trabalhos e o enfoque prático de suas abordagens.

Rosabeth M. Kanter oferece uma visão bastante pragmática sobre o processo de inovação, seja em empresas, países e organizações não-governamentais. Consultora internacional, professora de Harvard Business School e autora influente, ela desenvolve há vários anos livros e artigos sobre gestão de processos de mudança, estratégia, sustentabilidade, liderança e inovação. Dentre seus textos que mais me agradam, está o artigo da Innovation: The Classic Traps (Harvard Business Review 84, no. 11, Novembro 2006)”. Neste artigo a Profa Kanter apresenta o argumento que as empresas que falham na implementação de seus processos de inovação cometem erros em pelo menos uma das seguintes áreas: estratégia, processos, estrutura e competências.

Os erros de estratégia ocorrem quando as organizações criam a expectativa que todas as inovações que ocorrerão terão o mesmo impacto que o Walkman (anos 80), computador pessoal, Prozac, ou iPad. As empresas criaram um problema auto infligido porque construíram barreiras muito altas para seus processos de inovação, ao mesmo tempo em que colocaram escopos muito reduzidos para eles. Na opinião da Profa Kanter, a solução está em ampliar o escopo da inovação, buscando não apenas produtos que causarão rupturas ou mudarão nosso modo de viver. As organizações deverão esperar que algumas inovações causem apenas mudanças incrementais, como consequência natural do processo de geração e implementação de idéias. Certa vez ouvi um comentário (brilhante!), que a melhor forma de ter uma boa ideia é ter muitas delas. Algumas proporcionam melhorias incrementais, muitas não causam grandes impactos porém algumas poucas causam revoluções. Quando uma empresa (ou executivo) achar que um processo de inovação será bem sucedido somente se gerar produtos e serviços que mudarão a forma de vivermos (como os exemplos citados acima), estará cometendo um erro estratégico.

Erros em processos ocorrem quando as empresas colocam controles muito rígidos para ideias e produtos ainda em fase inicial. Orçamentos pobres, aversão ao risco e metas rígidas não combinam com experimentação. A solução natural será adicionar alguma flexibilidade ao processo de planejamento e controle quando uma empresa busca inovar.

Por outro lado, os erros em estrutura ocorrem quando existem conexões muito fracas entre as áreas de negócios e o processo de inovação; “conexões frouxas e separação firme”, segundo Kanter. O remédio aqui é criar canais de comunicação, formais e informais, entre a equipe de gestão do processo de inovação e as linhas de negócios existentes.

Por fim, os erros de competência, que surgem quando a liderança envolvida no processo de inovação pode até possuir conhecimento técnico, mas não possui as capacidades de liderança e comunicação, necessárias aos processos de inovação. No fim das contas, inovação significa a coexistência de um negócio tradicional com uma ideia e/ou produto embrionário, o que gera conflitos na busca por recursos internos, talento e tempo. Na minha opinião, os erros de competências são os mais fáceis de solucionar, porque a liderança em inovação é mais dependente de pessoas do que tecnologia e capital.

slide Inovaçao Kanter1

Finalizando, o ponto que me torna muito interessado no trabalho do Profa Kanter é que ela escreve para o executivo que gerenciará o processo de inovação e por isto mesmo ela possui um enfoque bastante prático, focado na solução de um problema real.

Link para o post “Quem é Quem em Inovação II” aqui.

Link para o post “Quem é Quem em Inovação III” aqui.

Clique aqui para o bio da Profa Kanter.

Os próximos artigos serão sobre o paper The Innovation Value Chain (Morten T. Hansen and Julian Birkinshaw) e sobre Scott D. Anthony (Innosight).

Clique aqui para a fonte da figura inicial.

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Um comentário sobre “Quem é Quem em Inovação I – Rosabeth M. Kanter

  1. Marcelo de Araújo Simões disse:

    Muito bom! problemas muito comuns em empresas, porém pouco trabalhados com eficiência pelos gestores, pois são mal preparados e quando tomam a iniciativa de fazer alguma coisa, se comunicam mal. Lembrei muito de dois professores e pensadores sobre inovação, gestão e estratégia: Jim Collins, que escreveu o livro “Empresas feitas para vencer” e Clayton M. Christensen, que escreveu o livro “O crescimento pela Inovação”. Pessoas muito inspiradoras.

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