Quem é Quem em Inovação II – Hansen e Birkinshaw

A série “Quem é Quem em Inovação” traz a discussão sobre um artigo da Harvard Business Review escrito pelos autores Morten Hansen e Julian Birkinshaw. Em “The Innovation Value Chain” (HBR R07061), estes professores olham os processos de inovação como uma cadeia de valor (value chain) similar àquela proposta por Michael Porter quando analisou a cadeia de atividades que uma empresa executa para entregar seus produtos ou serviços.

Enquanto a Profa Kanter se preocupa em analisar as armadilhas que trazem insucesso aos processos de inovação das empresas, Hansen e Birkinshaw destacam as três fases principais da cadeia de valor da inovação: geração, conversão e difusão de idéias. Adicionalmente, os autores identificam as fraquezas potencias em cada uma destas fases bem como sugerem boas-práticas para aperfeiçoar a cadeia de valor de inovação das organizações.

Hansen e Birkinshaw (H&K) defendem o argumento que empresas podem ser boas em uma ou duas fases da cadeia de valor de inovação, porém é necessário equilíbrio entre elas para que as elas tenham sucesso como organizações inovadoras. Por exemplo, uma empresa acreditava que se possuísse uma excelente fase de geração de idéias ressuscitaria seu processo de inovação e por isto estabeleceu sessões formais de brainstorming. Porém a empresa já apresentava um processo razoável para trazer idéias à tona mas era inapta em avaliá-las. Deste modo, as sessões formais de geração de idéias (que aperfeiçoariam ainda mais uma fase onde a empresa já possuía um desempenho adequado) apenas sobrecarregaram um processo de inovação que já apresentava problemas. Mais do que excelência em uma das fases da cadeia de valor da inovação, H&K mostram que é necessário haver um equilíbrio entre as atividades de gerar, converter e difundir idéias.

A etapa de geração de idéias pode buscá-las tanto dentro de uma unidade de negócio quanto na interface entre mais de uma unidade da mesma empresa. Não se pode desprezar ainda o fato que grupos de fora da organização podem se articular em busca de inovações.

Por outro lado, a fase de conversão de idéias envolve um processo crível, transparente e razoavelmente racional de avaliação de sugestões de melhoria. Em paralelo, um mecanismo de apoio financeiro (funding) às idéias deve estar definido, bem como os critérios para alocação de recursos.

Por fim, a difusão de idéias trata de fazer com que os produtos atinjam escala industrial. Produtos embrionários precisam de um mercado externo que os compre, porém necessitam também de apoio de unidades de negócios que, no caso de multinacionais, não é automático. Produtos desenvolvidos por um country manager para um mercado específico podem sofrer boicote de outro country manager se este último se sentir ameaçado pelo sucesso do seu concorrente na linha de sucessão. Inexistência de incentivos à difusão de idéias é um forte veneno aos processos de inovação.

Desenvolvi esta tabela abaixo, onde Hansen e Birkinshaw mostram os possíveis elos mais fracos da cadeia de valor da inovação e apresentam algumas boas-práticas. Naturalmente, esta tabela é um resumo bem-intencionado de um longo artigo e por isto sugiro aos interessados no assunto a ler com mais profundidade o material elaborado por H&K.

Fase Este elo… É fraco se Exemplo de boa-prática para remediar a situação
Geração de Idéias Colaboração dentro de uma unidade Pessoas dentro da unidade de negócio não conseguem gerar boas idéias por elas mesmas Desenvolver redes de comunicação
Colaboração entre unidades Colaboração entre unidades de negócios não produz boas idéias Criar redes de informação interdepartamentais, com informação e pessoas multifuncionais
Colaboração com partes externas A organização não obtém bons inputs de organizações externas Criar redes de informação com organismos externos, institutos de pesquisa, conselho de consumidores, agências reguladoras
Conversão de idéias Avaliação e financiamento de idéias Os processos de avaliação e financiamento são tão restritivos que eles inibem a criação de idéias Transparência de processos; fornecer cross-funding
Desenvolvimento de idéias em produtos, serviços ou novos negócios Partes da organização não vêm potencial nas idéias geradas Criar “portos seguros”, ou seja, áreas da organização focadas no desenvolvimento de novas idéias.
Difusão de idéias Difundir e aplicar as idéias dentro e fora da organização Idéias não conseguem apoio interno nem impactam clientes Designar “evangelistas”, que venderão a idéia e/ou trabalharão contra os medos dos country managers e rejeição de demais áreas da organização

Para finalizar, alguns pontos de dúvida em relação aos processos de inovação são:

  1. Se Inovação é tão importante, porque ela é tão difícil de ser implementada?
  2. Qual seria a melhor métrica para avaliar a cadeia de valor de inovação de uma empresa? Número de patentes obtidas? Receita de novos produtos como uma fração da receita total da empresa?

Quais as opiniões de vocês?

O próximo artigo sobre inovação será sobre o “Dilema do Inovador”, do Prof Clayton Christensen.

Link para o post “Quem é Quem em Inovação – I” aqui.

Link para post sobre inovação aqui

Link para post sobre o relatório de inovação aqui

Fonte da figura 1 aqui e fonte da figura 2 aqui.

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2 comentários sobre “Quem é Quem em Inovação II – Hansen e Birkinshaw

  1. Julio Mariano de Oliveira Neto disse:

    Quais seriam as vantagens e desvantagens de uma empresa comercial exportadora e importadora de pequeno porte em adotar esse modelo de inovação?

    • Olá Julio,

      A vantagem deste modelo é que ele ajuda a identificar as áreas que precisam de melhorias e o gestor não gastará recursos (tempo, dinheiro, energia) nas outras fases da cadeia de valor. Com respeito à tua pergunta, terei que dar uma resposta genérica, porque não conheço os detalhes da empresa em questão.Você falou que a empresa é pequena, por isto deste modo assumo que a tanto a implementação quanto a difusão de idéias devam ser fáceis. Deste modo, o modelo da cadeia de valor da organização ajuda a concentrar na fase de geração de idéias.
      Abs,
      EK

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