Internacionalização de Empresas – Parte I

O processo de internacionalização de empresas tem sido alvo de estudos sérios a partir dos anos 50 e se intensificou ainda mais a partir do final dos anos 90, quando o processo carimbado como globalização ficou mais evidente. Naturalmente, as empresas buscam se internacionalizar visando aumento de lucratividade, porém podemos sofisticar um pouco e tentar entender com profundidade como o processo de internacionalização ocorre.

Inicialmente, podemos perceber que algumas empresas são mais dependentes de mercados internacionais do que outras, sejam porque buscam um tipo de cliente específico em todo o mundo ou porque seus mercados nacionais já estão saturados e por isto mesmo não propiciam crescimento. Neste caso, como a expansão por novas áreas envolve incertezas e riscos maiores do que os mercados nacionais, para mitigar os riscos do processo de internacionalização em geral este ocorre em mercados similares às operações atuais de uma organização para mitigar riscos inerentes a um novo mercado (desconhecimento das características dos clientes, das fortalezas dos competidores, inexistência de sistema jurídico robusto). Por exemplo, empresas Brasileiras buscarão mercados na América do Sul, empresas norte-americanas buscarão o mercado canadense e empresas europeias se concentrarão no mercado europeu. Este fato explica a formação de blocos econômicos regionais (NAFTA, Mercado Comum Europeu e Mercosul, para citar alguns)

Outro motivo que explica a internacionalização de empresas é que a ida aos mercados externos é um ótimo contra-ataque à entrada de outras empresas nos mercados de origem. Atacar seu concorrente em sua própria base, ao invés de começar uma guerra de preços tem sido a forma mais efetiva de responder aos ataques de competidores de outros países.

Outro enfoque do estudo de internacionalização é analisar as diferentes formas de internacionalização. John Dunning, um dos pesquisadores do tema, identificou quatro modelos de internacionalização:

  1. Busca de recursos: a subsidiária procura acesso aos recursos disponíveis no país de origem.
  2. Busca de mercados: a subsidiária tenta explorar mercados locais a partir de suas operações no país de origem. Esta é a forma mais simples e menos arriscada de expansão aos mercados externos.
  3. Busca por eficiência: a subsidiária participa na racionalização dos processos de produção internacional.
  4. Busca por ativos: a subsidiária incorpora competências e ativos estratégicos.

A tabela abaixo mostra alguns exemplos de empresas nacionais e modelos de internacionalização:

Motivo da busca Exemplo
Busca de Recursos Mineradora Chinesa que estabelece operações na África em busca de minério, Empresa norte-americana que estabelece uma maquilladora no México em busca de incentivos fiscais e mão-de-obra de baixo custo.
Busca de Mercados Intel e Apple  no Brasil, onde existem apenas atividades comerciais, marketing e atividades de apoio a estas funções
Busca por eficiência Gerdau nos EUA, Ambev
Busca por ativos Embraer na China

flags

Existiriam outros exemplos de multinacionais Brasileiras que se encaixariam nos modelos acima? Como vocês classificariam a JBS-Friboi, Braskem, Odebrecht, Votorantim? Adicionalmente, será que as multinacionais buscam outros fatores nos países destino? O que vocês acham do exemplo da Nike na China, nos anos 80 e 90, quando teve que se aproximar do Governo Chinês para obter autorização de funcionamento naquele país? Similarmente, o que pensamos sobre o modelo do   Google, que ainda não encontrou o modelo adequado para operar na China? Por fim, quais os papéis dos governos nacionais na construção de multinacionais de países emergentes?

Link para post sobre Internacionalização na Marcopolo aqui; link para post sobre internacionalização de serviços financeiros aqui; link para fonte da figura 1 aqui; link para fonte da figura 2 aqui.

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4 comentários sobre “Internacionalização de Empresas – Parte I

  1. esardano disse:

    Muito interessante este artigo. Bastante didático e ilustrado com cases de empresas de renome. Para os interessados, sugiro a leitura de matéria, recentemente publicada na The Economist (link abaixo), abordando o retorno de empresas norte-americanas ao seu país de origem devido, principalmente, ao aumento dos custos nos países emergentes onde haviam se instalado. Interessante o novo termo empregado, “reshore”, para explicar esse movimento contrário aos tradicionais “offshore” e “outsourcing”.

    http://www.economist.com/news/leaders/21569739-outsourcing-jobs-faraway-places-wane-will-not-solve-wests

  2. Olá Edelcio,

    obrigado pelo comentário. É interessante notar que como os custos de produção no Brasil e na China estão subindo, estes países já estão sofrendo competição por outros países que desejam assumir o posto de plataformas de produção globais (i.e. Vietnam e Bangladesh). Adicionalmente, como a produtividade é maior nos países mais industrializados, alguns processos de manufatura voltam a ter razões econômicas para serem situados nos EUA e Europa. Uma variável que o artigo não discutiu em profundidade é a pressão política que as empresas sofrem para trazer empregos de volta aos seus países de origem, porque o custo social do desemprego é muito alto.

    Evodio Kaltenecker

    • Edelcio Sardano disse:

      Tem toda a razão Prof. Evodio. A pressão política para que essas empresas voltem, gerando empregos, é apresentada de forma muito sutil no artigo, mas os comentários dos leitores da The Economist sobre a matéria, somente abordam este aspecto. Enquanto nós pensamos a internacionalização, eles pensam a americanização. Não é?

      • Olá Edélcio,

        Sim, percebemos um movimento forte de empresas norte-americanas de modo a reverter o processo de outsourcing (ou internacionalização das cadeias produtivas). Acho que em países com populações grandes é importante manter as fábricas, para evitar o peso de altos níveis de desemprego. Acho que este tema vale um estudo sério.

        Abs,

        EK

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