Estratégia de internacionalização de uma empresa brasileira: Neymar

Um seguidor deste blog me fez um desafio: aplicar as análises de estratégia de negócios em assuntos cotidianos. A ideia me pareceu bastante interessante, porém com certa dose de risco – temas do dia-a-dia geralmente desenvolvem relações apaixonadas e muitas vezes respostas pouco racionais. Mesmo assim, aceitei o desafio e decidi entender um pouco melhor as opções estratégicas de um produto muito conhecido no mercado nacional: o jogador Neymar. Aproveitei também a oportunidade para avaliar desde um ponto de vista de estratégia de internacionalização de empresas seus possíveis caminhos.

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Quais seriam as opções deste jogador, que analisarei como se fosse uma empresa? Sim, a “empresa” Neymar possui mercado (que poderá ser expandido ou não), competidores (outros jogadores talentosos), acionistas (os donos de seu passe, o time de futebol que o formou) e objetivos estratégicos. Vamos discutir as opções desta empresa/atleta:

  • Mercado brasileiro: Neymar já é um líder de mercado, ou seja, possui posição dominante de market share em se tratando do mercado brasileiro. Atualmente não tem muito mais espaço para crescer sua participação de mercado e se tornará em breve o que chamamos em negócios de “um peixe grande em um lago cada vez menor”. Neste caso, os riscos são a saturação deste produto, a diminuição lenta de ser market share ou a  perda do posto de melhor jogador do Brasil, por exemplo. Deste modo, é bastante natural que seus investidores procurem vender esta “marca” em outros mercados. Cabe então analisar outros mercados e avaliar aspectos positivos e negativos de cada um deles.
  • Mercado inglês: Neymar seria um produto bastante diferenciado neste mercado (devido ao seu estilo de jogo), porém enfrentaria barreiras de entrada muito grandes (dificuldade adaptação). Adicionalmente, por ser um mercado maduro, a empresa precisaria alterar seu produto. Por exemplo, Neymar poderia precisar marcar e jogar mais coletivamente.
  • Mercado espanhol:  Neste marcado a empresa Neymar poderia ter melhor aceitação, ou seja, enfrentaria baixas barreiras de entrada devido ao grande apreço por seu estilo mais técnico. Porém, enfrentaria a presença de muitos produtos competidores, ou seja, atletas com estilo parecido com o seu: Cristiano Ronaldo, Iniesta, Xavi e Messi, para citar alguns.
  • Mercado italiano: Este mercado me parece uma combinação dos dois mercados anteriores. O produto Neymar poderia ter dificuldades iniciais de adaptação (joga mais focado em marcação coletiva) e sofreria concorrência de alguns atletas (produtos competidores) de alto nível e alta exposição na mídia. Por outro lado, o design do produto Neymar (seu estilo de jogo) seria muito apreciado.
  • Mercado alemão: Mercado maduro, com grandes barreiras de entrada e adaptação difícil. Várias empresas brasileiras (outros jogadores) enfrentaram dificuldades de adaptação.
  • Mercado asiático: Mercado pouco maduro, porém de potencial incrível. O produto Neymar é uma opção para desenvolver este mercado e ser a primeira marca verdadeiramente global ligada a esta região. Porém, é uma decisão de risco porque, por algum tempo, daria pouca visibilidade à marca Neymar.

Desenvolvi o seguinte quadro que resume as oportunidades e barreiras de cada decisão:

Mercado brasileiro

Mercado inglês

Mercado espanhol

Mercado italiano

Mercado alemão

Mercado asiático

Neymar seria um produto diferenciado?

SIM

SIM

SIM

SIM

SIM

SIM

Existem barreiras de entrada?

NÃO APLICÁVEL

ALTAS

BAIXAS

MÉDIAS

ALTAS

MÉDIAS

Neymar enfrentaria competidores (outros atletas de classe mundia)

NÃO

SIM

SIM

SIM

TALVEZ

NÃO

Tamanho do mercado?

MÉDIO

GRANDE

GRANDE

GRANDE

GRANDE

PEQUENO (COM ENORME POTENCIAL)

Mercado é regulado/maduro e imporia regras que alterariam o estilo de jogo do Neymar?

NÃO

SIM

NÃO

TALVEZ

SIM

NÃO

Naturalmente este post não tem com objetivo esgotar a discussão sobre as opções estratégicas disponíveis para a “empresa” Neymar. Porém, esta situação real exemplifica a dificuldade em determinar a melhor estratégia de internacionalização de uma empresa. E, por fim, mostra que a análise de estratégias pode ser utilizada em nossas vidas cotidianas, daí o nome do blog – Estratégia para Todos.

Como de costume, gostaria de deixar algumas provocações.

  1. A empresa Neymar deverá definir sua estratégia antes ou depois da Copa do Mundo em 2014?
  2. Quais os possíveis impactos da Copa do Mundo na estratégia da empresa Neymar? Lembrar que seus concorrentes (demais jogadores) estarão  no mesmo evento, o que permitirá uma comparação entre todos.

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Link para capa da Time aqui.

Link para logo da Copa do Mundo em 2014 aqui.

Link para post sobre Internacionalização de Empresas aqui.

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13 comentários sobre “Estratégia de internacionalização de uma empresa brasileira: Neymar

    • Talita Krammer Crispim disse:

      Tanto a primeira pergunta quanto a segunda tem características em comum, primeiro porque a empresa Neymar vai definir sua estratégia antes da Copa do Mundo, porque assim, o sucesso será ainda maior, com mais e mais publicidade em áreas como comerciais de TV, vendas de produtos, chamando a atenção dos torcedores para o time. E claro que os impactos serão notáveis porque vai haver um aumento muito grande de publicidade da sua empresa, é “uma marca” sendo ele o jogador número um do Brasil, Ele aparecerá muito mais em suas propagandas diárias, lembrando que não é apenas no Brasil. E há também os outros jogadores, entretanto eles não causam o mesmo efeito que ele. A empresa Neymar já se consolidou no Brasil, já superou as expectativas, está no meio da galera.

      • Olá Talita,

        obrigado pela tua contribuição ao blog. Agora que o Neymar decidiu pela internacionalização de sua marca, quais seriam os próximos passos de sua carreira? Quais os riscos e oportunidades que ele enfrentará: [Nota: pense no Neymar como uma empresa brasileira que está se tornando multinacional, e por isto mesmo entrando em novos mercados].

        Abs,

        Evodio Kaltenecker

  1. Marcelo de Araújo Simões disse:

    Neymar deve pensar na estratégia de internacionalização antes da Copa do Mundo de 2014. Desde já, acho. Aqui ele tem uma vantagem competitiva em relação aos seus competidores, pois ele é brasileiro e poderá explorar mais a exposição na mídia. Lógico que precisa ficar atento, desde já, com o comportamento dentro e fora dos campos, pois um produto com imagem negativa não vende e não proporciona novas oportunidades de negócio. E no negócio futebol a imagem é muito importante (dentro e fora dos campos).

    A Copa do Mundo é o momento dos acionistas pensarem em posicioná-lo como um produto internacional maduro (mudar o visual da embalagem, mas sem perder a personalidade) e acho que a Espanha é um bom mercado de entrada, pois gosta do estilo brasileiro de jogar bola (gosta de jogadores habilidosos e goleadores). A Copa de 2014 trará para o Brasil muitos gestores dos clubes e potenciais parceiros de negócios.

    O pessoal de marketing e relações públicas da empresa Neymar terão que trabalhar muito desde já na estratégia de posicionamento com foco nos mercados potenciais. Hoje o Neymar estará no Jô Soares, com dois bloco dedicados a ele. Acho que eles já estão trabalhando….

  2. Frederico Vecchi disse:

    Evodio,
    muito pertinente este tópico. A empresa “Neymar”, guardadas, claro, as suas devidas proporções, é uma empresa que deve analisar todos os itens abordados neste artigo para decidir, de maneira profissional, qual a melhor estratégia de internacionalização.
    Acredito que, um outro mercado que pode e tem cacife para levar o Neymar é o mercado Russo, que possui grandes barreiras de entrada (clima, língua, alimentação, estilo de jogo), porém poucos competidores de qualidade diferenciada.

    A empresa “Neymar” deveria sim desenvolver sua estratégia de internacionalização antes da Copa do Mundo de 2014, pois após a Copa seu contrato terá terminado e ele poderá definir para onde quer ir.
    O grande X da questão neste assunto é que na Copa do Mundo, todos os ativos de grande valor e potencial estarão juntos no mesmo país. É sabido que a empresa “Neymar” não consegue performar um bom desempenho quando pela seleção brasileira e, acontecendo isto, pode ocorrer uma desvalorização desta empresa e uma transferência futura pós-Copa ser por valores bem abaixo do que se especula hoje.

    Ou seja, pensando em Valuation desta empresa “Neymar”, o grande prejudicado não seria efetivamente ela, que terá mercado pós-Copa mesmo não performando bem. Quem deveria estar muito preocupado é o atual acionista, a empresa “Santos”, que pode não receber 1 centavo sequer de um ativo extremamente valioso, de um ativo no qual esta empresa investiu um montante considerável e pode não ter nenhum retorno.

  3. Olá Frederico,

    Obrigado pelo teu e-mail. O conflito entre os acionistas da empresa Neymar e os empresários do jogador lembra os conflitos dentro das empresas. As áreas de vendas e finanças – focadas no curto prazo – muitas vezes pressionam as áreas de fabricação e logística, que possuem objetivos e métricas de longo prazo.

    Em relação ao mercado russo, na tua opinião qual seria o tamanho daquele mercado, em relação ao mercado brasileiro, por exemplo? E você acha que este mercado imporia mudanças no produto Neymar, para este ser melhor aceito pelos consumidores? Por exemplo, ele precisará ter responsabilidades de desarme?

    Abs,

    Evodio Kaltenecker

    • Frederico Vecchi disse:

      O mercado russo se concentra em poucos clubes, porém com magnatas que investem (ou lavam dinheiro, ok!) fortunas na contratação de grandes craques. O problema é que é um mercado onde o produto Neymar teria sérios problemas de adaptação e, além disso, o entorno dele (ou os companheiros de clube) não o ajudaria a performar bem, fazendo com que se distanciasse da seleção e tivesse o valor da empresa deteriorado.
      É um mercado que tem que ser mapeado sim, porém não acho que seja um bom destino para a empresa Neymar.

  4. Evodio, o blog é bem legal, já adicionei nos meus feeds, em especial esse post me chamou a atenção.
    Pensando em estratégia e me colocando como acionista, ainda apostaria no mercado nacional, fase de copa (confederações e do mundo), badalação dos principais players e marcas, muita midia, 1 (talvez e) em cada 10 comerciais na TV é do cara. Junto com isso, aproveitaria para deixa-lo em evidencia/destaque, principalmente em campanhas globais, criando espaço para expansão pós copa.
    Para longo prazo, penso na Itália, mercado maduro, porém com market share melhor equilibrado, acredito que é melhor que o espanhol por exemplo, já que o Google (Messi), Facebook (Cristiano) estão por lá.
    Abraços

  5. Evódio, gostei muito da análise. Como você enquadraria o potencial de desenvolvimento do produto, uma vez que os “técnicos” brasileiros são barreiras deste desenvolvimento e nos diversos mercados ele encontraria ou não Guardiolas para desenvolvê-lo?
    Um grande abraço,
    Guilherme

    • Olá Luiz Guilherme,
      em relação ao produto, acho que tanto o seu desenvolvimento quanto sua visibilidade ficam aquém do seu potencial se este não se internacionalizar. Nosso Campeonato Nacional é um bom mercado, mas comparado com o mercado espanhol, inglês e italiano, está muito defasado em termos de organização e exposição global. Inclusive o produto (Neymar) poderá se aperfeiçoar taticamente, como você comentou, se ele for treinado por profissionais com outras características de jogo.
      Abs,
      EK

  6. Viva Evodyo,
    Muito Bom artigo practico.
    Neymar deve definir a sua estratégia antes da copa do Mundo e aproveitar a Copa para analizar oportunidades. A Copa pode igualmente ser um medidor da estratégia de Neymar e servir para que se possa ajustar a referida estratégia fazendo melhorias, principalmente nos pontos da analise Swot, após estudo in loco de cada concorrente.

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