In Vino Veritas: Internacionalização de uma vinícola nacional.

vinho_5Já há algum tempo não escrevo sobre a expansão internacional de empresas nacionais, porém durante uma viagem a uma região produtora de vinhos presenciei um fenômeno muito interessante de internacionalização dentro do segmento vinícola. Uma empresa familiar deste setor – Casa Valduga – recentemente deu um passo além em seu processo de internacionalização. Dentro do segmento vinicultor é muito comum ocorrer parcerias entre organizações de países diferentes. Porém, no caso desta tradicional vinícola brasileira todo o processo de um determinado produto, desde o plantio passando pela vinificação e envasamento, será feito no Chile.

A teoria de internacionalização de empresas explica que as organizações buscam algum tipo de ativo, seja recurso tangível ou intangível, quando se aventuram em algum mercado que não seja o seu próprio de origem. Nos processos mais simples de internacionalização, as organizações buscam apenas acesso a novos mercados consumidores. Em processos mais complexos, as organizações internacionalizadas buscam acesso a algum insumo ou executam alguma etapa do processo produtivo fora de seu país de origem. Nos casos de empresas mais internacionalizadas são as atividades mais “nobres”, tais como pesquisa e desenvolvimento (P&D), projetos e criação de novos produtos que são internacionalizadas. O racional para definir qual atividade deve ser “exportada” está no fato de que as empresas procuram vantagens competitivas ao redor do mundo, seja no acesso ao conhecimento e às equipes qualificadas, à mão-de-obra barata, aos insumos estratégicos e ao maquinário com tecnologia exclusiva, por exemplo.

vinho-saúde

O exemplo da Casa Valduga é interessante porque a empresa busca associar sua marca à reputação chilena de fabricantes de ótimos vinhos (uma forma de co-branding entre uma marca e uma reputação). Deste modo, a organização reforça seu nome no mercado vinicultor através desta plataforma chilena, com produtos premium. A aquisição de terroirs chilenos também faz parte desta estratégia de internacionalização, porque dará à vinícola brasileira acesso à matéria-prima de qualidade superior, necessária para vinhos de alta qualidade. Como consequência, podemos deduzir que a Casa Valduga expandirá seus negócios em mercados mais sofisticados, tais como o europeu e o norte-americano. De acordo com o modelo estratégico de Michael Porter, a Casa Valduga se afasta do modelo de estratégia de diferenciação por baixo custo e segue o modelo de diferenciação por qualidade.

Deixo como um brinde às mentes mais curiosas uma provocação: Dentre as opções abaixo, qual seria a melhor resposta dos fabricantes de vinhos europeus e norte-americanos à ação estratégica da Casa Valduga?

  1. Iniciar uma guerra de preço?
  2. Mostrar que seus produtos oferecem melhor relação custo-benefício?
  3. Criar barreiras comerciais?
  4. Contra-atacar através de lançamentos de produtos no mercado brasileiro?
  5. Alguma combinação das alternativas anteriores?
  6. Alguma alternativa não mencionada acima?

Link para a imagem dos 3 copos de vinho aqui; link para imagem do copo de vinho aqui.

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