Pesquisa & Desenvolvimento em multinacionais: comparação entre empresas brasileiras e de outros países.

grafico de colunasOs executivos de multinacionais frequentemente perguntam sobre o processo de internacionalização de pesquisa e desenvolvimento de empresas brasileiras. A pergunta, de modo mais explícito, é a seguinte: Em se tratando de pesquisa e desenvolvimento, em que estágio estão as multinacionais brasileiras quando comparadas às de países mais industrializados? Os professores Simone Galina e Paulo Moura responderam esta questão através do artigo Internationalization of R&D by Brazilian Multinational Companies, quando estudaram o estágio de maturidade de algumas empresas multinacionais brasileiras tais como Gerdau, Marcopolo, Smar e Tigre, entre outras. O trabalho, publicado na International Business Review em 2013, teve como objetivo a verificar as três proposições abaixo:

  1. As empresas multinacionais brasileiras – EMB – desenvolvem P&D em outros países;
  2. Os motivos que levam as EMB a desenvolver P&D em outros países;
  3. Empresas brasileiras expandem internacionalmente as atividades de P&D de modo similar às multinacionais de países mais industrializados:

Em relação ao primeiro tópico os autores confirmaram que em várias empresas brasileiras a atividade de pesquisa é internacionalizada, porém a porção internacional de P&D é muito pequena quando comparada com a pesquisa total desenvolvido por estas organizações.

No segundo tópico, os autores confirmaram que empresas brasileiras expandem P&D devido aos mesmos motivos que as multinacionais de outros países, ou seja, procuram adaptar e desenvolver produto de modo a atender às necessidades locais dos mercados internacionais, sejam elas mercadológicas, tecnológicas ou regulatórias. Adicionalmente, os autores identificaram os principais fatores e forças motrizes para as multinacionais brasileiras, que estão apresentados na Tabela 1.

Forças-motrizes para internacionalização Principais fatores para internacionalização de P&D em multinacionais brasileiras
Dirigidas pelo mercado Monitoramento (corporativo) das necessidades dos clientes
Adaptação para satisfazer requerimentos locais
Atendimento de padrões locais/regionais ou certificações
Respostas aos nichos de mercado locais específicos
Dirigidas pela tecnologia Acesso à tecnologia através de cadeia de suprimento
Busca por mão-de-obra qualificada
Aquisição de companhias estrangeiras com competências tecnológicas
Tabela 1 – principais fatores para internacionalização de multinacionais brasileiras

Por fim, em relação à terceira proposição, Galina e Moura confirmaram que empresas brasileiras expandem P&D globalmente de modo similar às multinacionais de países mais industrializados. Deixarei os detalhes desta terceira proposição para um post especifico sobre este tema.

A importância do trabalho de Galina e Moura se deve ao fato de que os autores buscaram comparar os processos de internacionalização de P&D entre multinacionais brasileiras e de países mais industrializados através da ótica de forças-motrizes. Esta visão completa a dos post anteriores discutidos neste blog, que focalizaram as estruturas globais de P&D (post aqui) e competências organizacionais para internacionalização da inovação (post aqui).

tubos de ensaio 

Conclusões do artigo

Os três últimos artigos analisados neste blog convergem para o estudo de pesquisa, desenvolvimento e inovação em multinacionais, ainda que cada um deles possua um enfoque específico. Enquanto Chiesa (aqui) estuda internacionalização de P&D em empresas multinacionais intensivas em tecnologia e de países mais industrializados, Fleury & Fleury e Galina & Moura possuem como área de interesse comum o estudo mais específico de internacionalização de P&D e inovação em empresas multinacionais brasileiras. A Figura 1 apresenta graficamente as áreas de interface teórica-conceitual de cada artigo.

tres circulos

Figura 1 – Ligação conceitual dos artigos apresentados neste blog.

Deixo aqui duas perguntas para os leitores mais curiosos:

  1. Qual seria a empresa brasileira mais internacionalizada?
  2. Qual seria a empresa brasileiras que mais investe em P&D, proporcionalmente à sua receita?

Fonte da imagem do gráfico de colunas aqui, fonte da imagem dos tubos de ensaio aqui,

Referências Bibliográficas

CHIESA, V. Global R&D Project Management and Organization: A Taxonomy. Journal of Production Innovation Management.v. 17, n. 5, p341–359, 2000.

FLEURY, A.C.C., FLEURY, M.T.L, BORINI, F.M. The Brazilian Multinational´s Approaches to Innovation.Journal of International Management.v.19 p260-275, 2013.

FLEURY, A.C.C & FLEURY, M.T.L.Brazilian Multinationals – Competences for Internationalization.1 ed. Cambridge, Cambridge University Press, 2011

GALINA, S. V.R., MOURA, P.G.D, Internationalization of R&D by Brazilian Multinational Companies.International Business Research; v.6, n8; 2013

 

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2 comentários sobre “Pesquisa & Desenvolvimento em multinacionais: comparação entre empresas brasileiras e de outros países.

  1. Olá Edélcio,

    obrigado pela tua participação. Em relação à primeira pergunta, existem vários critérios para definir o nível de internacionalização de uma empresa: número de funcionários no exterior, valor dos ativos situados fora do Brasil, percentagem da receita internacional em relação à receita total. São várias formas de medir internacionalização e por isto não existe um consenso sobre a empresa mais internacionalizada. Algumas empresa que se destacam neste assunto são: Gerdau, Petrobrás, Embraer, Vale, Marcopolo, Artecola, Natura e alguns bancos tais como Banco do Brasil, Itaú e BTG.

    Abs,

    E.K.

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