Pequenas, porém atrevidas: internacionalização de pequenas e médias empresas (PME)

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Qual a relação entre o grau de internacionalização de uma empresa, o desenvolvimento de competências e seu desempenhos financeiro? Se esta é uma pergunta difícil de ser respondida para as grandes empresas – que possuem muitas informações disponíveis -, para organizações menores – que possuem poucas informações abertas ao público -, esta mesma pergunta possui complexidade muito maior. A professora Dinora Floriani, em sua tese de doutorado publicada em 2010, procurou identificar a relação entre o grau de internacionalização de pequenas e médias empresas (PME) com seus resultados financeiros e operacionais.  Através de abordagens qualitativas e quantitativas, a pesquisadora avaliou informações de 114 empresas brasileiras que eram tanto internacionalizadas quanto PMEs. Após análise dos resultados obtidos, Floriani concluiu que:

  1. Há uma relação forte entre o aumento do grau de internacionalização com o desenvolvimento de novas competências;
  2. Há uma relação fraca entre o aumento do grau de internacionalização com aumento de desempenho financeiro e operacional.

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Além de suas conclusões de seu trabalho, o material desenvolvido pela pesquisadora chama a atenção devido à sua ótima explicação sobre as teorias de internacionalização de empresas. O texto descreve os principais modelos de internacionalização: a abordagem baseada em decisões econômicas, desenvolvida por autores tais como Williamson, Hymer, Porter, Dunning e Penrose; e a abordagem baseada em evolução comportamental, também chamada de Escola Nórdica ou modelo de Uppsala, desenvolvida por pesquisadores tais como Johanson, Wiedersheim-Paul e Vahlne.

Como conclusão de seu trabalho, Floriani deixou claro que internacionalização impacta positivamente as características soft das pequenas e médias empresas: conhecimento (tanto tácito quanto explícito) e suas competências organizacionais. Ou seja, este fato nos permite concluir que existe algum tipo de transferência de conhecimentos entre matriz e subsidiária. Floriani mostra também que ainda existe espaço para trabalhos acadêmicos que procurem estudar a relação entre internacionalização de uma empresa, seja ela PME ou uma grande organização, e suas características hard, tais como lucratividade e desempenho operacional.

Como de costume termino este post com mais uma pergunta provocativa:

As empresas se internacionalizam porque possuem as competências para tal movimento estratégico ou buscam mercados externos para desenvolver as competências que lhes faltam?

Links para imagens: boneco escalando gráfico aqui; figura do globo aqui.

 

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2 comentários sobre “Pequenas, porém atrevidas: internacionalização de pequenas e médias empresas (PME)

  1. celso Gmail disse:

    Bom Dia mestre!

    Boa pergunta! Vejo na maioria das vezes que empresas, principalmente as pequenas, não possuem as competências necessárias para operar em mercado externos. Elas nem mesmo as enxergam antecipadamente e portanto não buscam estes mercados externos para desenvolver as referidas competências. Buscam os mercados externos para ampliar o faturamento, motivadas por cargas tributárias menores e também para minimizar as flutuações de aceleração/desaceleração econômica, devido aos diferentes momentos em eu cada país se encontra.

    Após o início das operações externas então, os erros e deficiências ficam latentes, forçando-as a buscar as competências básicas.

    c.

  2. Olá Celso,

    obrigado pela tua mensagem. É importante lembrar que as PMEs não são versões pequenas de empresas grandes, mas sim uma versão diferente destas empresas. Como as pequenas e médias empresa possuem poucos ativos tangíveis (fábricas, maquinários, patentes), elas acabam desenvolvendo processos internos e formas de aquisição de conhecimento muito diferentes dos mecanismos das grandes empresas. Concordo com teu comentário sobre a busca das PMEs por mercados internacionais para, como você comentou, lucrar mais e/ou mitigar riscos. Ainda são poucas as empresas médias e pequenas que se internalizam para adquirir novas competências. Porém, sou otimista porque vejo movimentos de pequenas empresas (desenvolvedoras de video games, por exemplo) que fazem parte de cadeias globais de produção. Em breve escreverei um post sobre meus trabalhos com desenvolvedores de jogos eletrônicos e apresentarei PMEs que se internacionalizam para buscar competências que não podem ser desenvolvidas nos mercados locais.

    Abs,

    E.K.

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