Quando gigantes colidem: Michael Porter vs. Clay Christensen, EaD vs. MBA tradicional

A leitura de um artigo sobre o impacto da educação on-line nos cursos de MBAs tradicionais despertou a discussão sobre as diferenças conceituais (ou será rivalidade?) entre dois acadêmicos extremamente influentes: Michael Porter (link) e Clay Christensen, ambos da Harvard Business School. Porter, considerado por muitos o principal autor na área de estratégia corporativa e autoridade internacional em competitividade e desenvolvimento de nações, criou termos e ferramentas tais como a análise de cinco forças, os grupos estratégicos, a cadeia de valor, os clusters de desenvolvimento econômico, os modelos do diamante e  dos quatro cantos (utilizado para ações de um competidor). Para este autor, a vantagem competitiva de uma empresa ou país é consequência de um posicionamento estratégico único e não imitável por seus concorrentes. Por outro lado, Christensen, cujo trabalho sobre inovação em ambientes empresariais levou à caracterização do fenômeno chamado “inovação disruptiva”, defende que os líderes de mercado somente manterão suas posições de superioridade, e assim sobreviverão a uma ameaça disruptiva se as próprias empresas alterarem seus modelos de negócios. Enquanto no modelo de Porter as atividades de uma empresa devem se reforçar mutuamente, criando um posicionamento de difícil imitação, no modelo de Christensen este reforço mútuo causa uma cegueira tecnológica que impede as organizações de adotarem novas tecnologias e perceberem novos competidores.

christensen                                                                    Clay Christensen

Posso dizer que sou privilegiado por que tenho tido a oportunidade de acompanhar estes autores influentes ao longo de vários anos, seja como aluno, executivo ou acadêmico, tanto na própria universidade onde eles trabalham quanto em eventos no Brasil. Ainda que os dois autores recebam algumas críticas quanto aos conceitos que desenvolveram, eles merecem todo o crédito pelo título de gigantes que recebem. Porter é criticado por alguns acadêmicos quanto às inconsistências de seu modelo (enquanto os posicionamentos por baixo custo e diferenciação referem-se a como competir, a abordagem de escopo refere-se a onde competir) ao passo Christensen é criticado por que nem sempre a inovação disruptiva mostrou-se vencedora. Segundo as palavras do Prof. Porter: “A diferença entre Clay (Chrisitensen) e eu é que ele vê disrupção em todos os lugares, em todos os negócios, ao passo que eu vejo disrupção uma vez ou outra”.

Porter                                                                       Michael Porter

Deixo aqui uma pergunta: Vocês acreditam que os cursos de treinamento de executivos, como por exemplo os MBA (tanto em tempo integral e quanto os em período noturno) irão desaparecer em função do uso de Ensino à Distância (EaD)?

Link para o artigo sobre uso de ensino à distância aqui.

Alguns textos importantes de Michael Porter:

  1. Porter, M.E. “How Competitive Forces Shape Strategy”, Harvard Business Review, March/April, 1979.
  2. Porter, M.E. Competitive Strategy, Free Press, New York, 1980.
  3. Porter, M.E. “What is Strategy”, Harvard Business Review,  Nov/Dec 1996.
  4. Porter, M.E. “Strategy and the Internet”, Harvard Business Review, March 2001, pp. 62–78

Alguns textos importantes de Clay Christensen:

  1. Christensen, Clayton M.,   The innovator´s dilemma: when new tecnologies cause great firms to fail, Boston, Massachusetts, USA: Harvard Business School Press, 1997
  2. Christensen, Clayton M., Innovation and the general manager, Boston, Massachusetts, USA:  Harvard Business School Press, 2003.
  3. Christensen, Clayton M.; Horn, Michael, Disrupting class: how disruptive innovation will change the way the world learns, New York, USA:  McGraw-Hill, 2008
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2 comentários sobre “Quando gigantes colidem: Michael Porter vs. Clay Christensen, EaD vs. MBA tradicional

  1. Juliana disse:

    Não acredito que o crescimento do EAD signifique a extinção do modelo presencial. Vejo como duas arenas diferentes, com públicos-alvo diferente e vantagens competitivas que podem ser exploradas sem que se canibalizem. Como Porter diria, EAD não é exatamente um substituto direto de MBA presencial.

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