Efeitos do País de Origem: impacto sobre as multinacionais de países emergentes.

downloadUma questão importante que surge a partir do estudo de empresas internacionais é: Como o “efeito do país de origem” impacta as multinacionais de países emergentes? Esse debate é particularmente relevante no atual estágio de globalização devido existência de muitas teorias na área de negócios internacionais. Neste artigo iremos focar os efeitos do país de origem em multinacionais brasileiras.

De acordo com Fleury e Fleury (2014), os primeiros resultados dos estudos de internacionalização das multinacionais do Brasil   sugerem três características principais dessas empresas: a) desenvolvem vantagens específicas distintas (link aqui), quando comparada com as multinacionais dos países desenvolvidos e as multinacionais de outros países emergentes; b) adotam determinadas estratégias de internacionalização no que diz respeito à seleção do mercado, o modo de entrada e comprometimento com internacionalização; c) desenvolvem formas inovadoras de organização corporativa e de gestão de subsidiárias estrangeiras.

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Um aspecto adicional específico de multinacionais brasileiras é a tendência em operar principalmente nos setores de baixa tecnologia, onde marca e inovações de produtos não são tão relevantes. Estudos sobre as empresas brasileiras identificaram dois tipos de inovação em multinacionais brasileiras:: excelência na fabricação  e modelos ágeis de negócios.

Em geral, as estratégias de internacionalização envolvem dois tipos de decisões: modo de propriedade (uso de joint-ventures ou estabelecimento de subsidiárias) e modo de estabelecimento (aquisições ou  projetos greenfield). As opções de empresas brasileiras são explicadas abaixo.

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Modo de Entrada / propriedade:   As multinacionais brasileiras geralmente exigem controle total como modo de entrada preferencial, ao invés de acordos de colaboração e práticas de alianças. Historicamente, as empresas brasileiras têm mostrado dificuldades em se engajar em acordos de colaboração devido à forte obsessão de muitas empresas familiares pelo controle majoritário das decisões das empresas.

Modo de Entrada / estabelecimento: empresas globais brasileiras são ávidas estão por aquisições: existem vários casos de empresas brasileiras adquirindo países desenvolvidos empresas que enfrentam problemas financeiros. A propensão por aquisições é justificada por dois fatores: aversão ao risco e preferência por utilizar capital próprio, fatos que evidentemente reduzem o leque de potenciais aquisições. O segundo fator reforça o primeiro: as empresas brasileiras exibem competências distintivas em manufatura e finanças que são os fatores-chave para recuperar empresas à beira da falência devido às falhas de produção e de situação financeira ruim.

Além disso, as multinacionais do Brasil tendem a mostrar um compromisso volátil com a internacionalização. Uma das possíveis razões é o fato de que as empresas brasileiras se internacionalizam de forma autônoma com recursos próprios e sem qualquer acordo de cooperação ou apoio governamental. Portanto, se elas se internacionalizam por conta própria podem interromper o processo devido ao próprio interesse.

Finalmente, existe a discussão do local de entrada para internacionalização. A América Latina é a escolha preferida para a grande maioria das multinacionais brasileiras, fato facilmente explicado pelo modelo de Uppsala (link aqui), principalmente porque as organizações brasileiras estão confiantes na aplicação da experiência que acumulam por operar em um país onde a turbulência institucional é alta e com características semelhantes. Resumindo, a América Latina é o local preferido para as estratégias de entrada não só para os argumentos apresentados pela Escola Nórdica, mas também devido à capacidade das multinacionais brasileiras em lidar com ambientes institucionais turbulentos. A tabela 1 consolida as questões apresentadas neste artigo.

Fator ambiental Nível Macro Nível Micro
Políticas de industrialização Introspectivas Pouca importância para os mercados externos; desenvolvimento de vantagens específicas à firma
As políticas macroeconômicas Perspectiva de curto prazo Modelos de negócios inovadores
Cultura nacional Conservadorismo e aversão ao risco Resistência às alianças
Abundância de recursos naturais Concentração em mercados de commodities e / ou indústrias maduras Barreira para o desenvolvimento de indústria intensa em tecnologia; vantagens comparativas em commodities e mercados de insumos básicos

Referências

Fleury, A. e Fleury, M.T. (2014). “Country-of-origin effects on internationalization: insights from Brazil”. In Alvaro Cuervo-Cazurra e Ravi Ramamurti (eds.): Understanding emerging market multinationals. Cambridge, UK: Cambridge University Press

 

 

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