Fontes de incertezas: Governança de rede para produtos e serviços complexos

whartonMuitas indústrias utilizam governança de rede – um tipo de coordenação caracterizada por sistemas sociais informais e não por estruturas burocráticas – para criar produtos complexos em ambientes incertos e competitivos. Por exemplo, as indústrias de semicondutores, biotecnologia, filmes, música, serviços financeiros, alta costura e jogos digitais (link aqui) apresentam ecossistemas (ou redes) que vão além da estrutura vertical de comando e controle. Estas indústrias mostram que acordos empresarias confiáveis  não dependem de relações contratuais formais.

Quando surge uma rede ou um ecossistema de negócios? Candance Jones, William Hesterly e Borgatti Stephen chegaram a uma resposta após a integrarem os conceitos de Custos Econômicos de Transação (TCE, em inglês) e as teorias da rede sociais. Na perspectiva da TCE existem três condições de mudança –   incerteza, especificidade dos ativos e frequência das internações – que determinam a forma de governança da rede:

  1. Incerteza do ambiente de negócios provoca mudança porque os ambientes são raramente estáveis e previsíveis. Fontes de incerteza são fornecedores, clientes, concorrentes, órgãos reguladores, sindicatos, ou mercados financeiros.
  2. Intercâmbio de ativos específicos envolve trocas de equipamentos proprietários, processos ou conhecimentos desenvolvidos pelos participantes, o que intensifica a coordenação entre as partes.
  3. Frequência de interações é importante por três razões. Em primeiro lugar, frequência facilita a transferência de conhecimento tácito, principalmente em processos especializados. Em segundo lugar, interações frequentes cria relações de negócios mais fortes, que fornecem a base para mecanismos sociais de mudança. Em terceiro lugar, interações frequentes permitem maior eficiência, o que leva à redução de custos.

questionmarks

É interessante notar que, sob condições de incerteza da demanda, as empresas tendem a desagregar seus negócios em unidades independentes, seja por meio da terceirização ou subcontratação. Este   dissociação aumenta a flexibilidade   – capacidade de responder a uma ampla gama de contingências – porque recursos terceirizados ou alugados, em vez de proprietários, podem ser realocados de modo mais econômico e mais rápido para responder às novas exigências ambientais.

uncertainty

De onde vêm as incertezas?

Incerteza na demanda é gerada por mudanças rápidas das preferências dos consumidores e pelo desconhecimento sobre elas. Um bom exemplo ocorre nas indústrias jogos digitais ou de cinema, nas quais não são claros os fatores determinantes que fazem um jogo eletrônico ser um sucesso de vendas ou um filme ter grande audiência, respectivamente. Incerteza da demanda também é gerada por mudanças rápidas no conhecimento ou na tecnologia, o que resulta em ciclos de vida de produto curtos e na disseminação rápida das informações críticas. Em indústrias de alta tecnologia, como a de biotecnologia e de semicondutores, novos produtos e tecnologias “saltam” sobre produtos e tecnologias mais antigas, o que deixa as empresas lutando para “recuperar o atraso”. Finalmente,   incerteza da demanda é gerada pela sazonalidade, o que torna a integração vertical ineficiente porque as oscilações nos mercados tornam muito difícil a previsão de receitas e os gostos dos clientes.

Conclusão

As incertezas da demanda levam às empresas à desagregação, enquanto a personalização e as trocas de ativos específicos intensificam a necessidade de governança das redes de negócios (ou ecossistemas) e de integração entre as partes. Isto ocorre por que redes reforçam a rápida disseminação do conhecimento tácito. Além disso, a personalização de produtos ou serviços é comum entre as empresas em uma rede. Esta forma de personalização envolve ativos intangíveis, como por exemplo, cultura, habilidades, rotinas, e trabalho em equipe e são derivados de conhecimentos e habilidades dos participantes, como na indústria de jogos digitais.

Referências

JONES C ,. Hesterly WS, BOIGATT, Teoria SP A Geral da Rede de Governança: condições de câmbio e mecanismos sociais.   Academy of Management Review.  1997, Vol. 22JJo. 4. 911-945.

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